Urologista fala sobre Novembro Azul e o câncer de próstata

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O dia 17 de novembro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.  Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que, em 2018, foram diagnosticados diariamente cerca de 187 novos casos de câncer de próstata no Brasil, com morte de 42 homens a cada dia.

Diante deste cenário e da importância de dar visibilidade à campanha, a equipe de comunicação da Cindi entrou em contato com o Urologista Dr. Fabiano Motta Spada para entender melhor sobre essa doença, como funcionam os exames e quais são as possibilidades de tratamento. Confira no texto abaixo:

Urologista Dr. Fabiano Motta Spada

“A campanha do Novembro Azul se tornou o tradicional símbolo criado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) que visa conscientizar o homem sobre sua saúde e, especificamente, sobre o câncer prostático, que no Brasil é o segundo tipo de câncer mais frequente e, também, o segundo tipo que mais mata os homens.

É recomendado que homens a partir de 50 anos procurem um urologista, para avaliação individualizada. No entanto, pelo risco aumentado, homens negros ou com parentes de primeiro grau (pai, irmãos e tios) com câncer de próstata, devem começar aos 45 anos.

O câncer de próstata não dá sintomas em sua fase inicial, sendo este o momento ideal para diagnóstico, já que é quando 90% dos casos podem ser curados. A próstata no seu tamanho normal, equivale a uma castanha. É uma glândula do sistema reprodutor masculino que produz uma secreção fluida para nutrição e transporte dos espermatozoides. Localiza-se entre a bexiga e o reto, sendo atravessada pela uretra que é o conduto para eliminação da urina que se estende da bexiga até a abertura na ponta do pênis.

A análise da próstata é feita por meio de exame de sangue pela dosagem do PSA (proteína exclusivamente produzida na próstata e principal marcador tumoral utilizado) juntamente com o exame de toque. Para a diferenciação das diversas doenças da próstata o urologista pode lançar mão de exames complementares como o ultrassom prostático através do abdome ou do reto e, cada vez mais frequente, do uso da ressonância nuclear magnética multiparamétrica da próstata.

Apesar do tabu envolvido em relação ao toque retal da próstata, o exame tem um importante papel, já que o câncer é mais frequente na região periférica, que fica em intimo contato com o reto. Trata-se de exame que proporciona informações preciosas, dentre elas a identificação de áreas suspeitas através da consistência prostática, presença de nodulações e avaliação do tamanho da glândula. O exame de sangue e o toque são exames que se complementam.

Quanto ao tratamento no câncer de próstata vai depender da fase da sua descoberta, podendo ser curativo ou paliativo. Se diagnosticado na fase inicial, a chance de cura da doença é alta, que significa que cerca de 9 em cada 10 homens estarão livres deste mal após tratamento adequado. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados.

Nos casos avançados, quando a doença se encontra avançada e disseminada para outros órgãos, como nos implantes ósseos e nos gânglios, o tratamento é paliativo e visa um controle temporário do tumor. Este tratamento pode manter a doença sob controle por muitos anos, fazendo uso de medicações que bloqueiam os hormônios masculinos, ou mesmo, através de uma pequena cirurgia nos testículos para impedir a produção destes hormônios.

Atualmente, tem-se observado que a maioria dos tumores malignos da próstata são indolentes, com progressão lenta e letalidade mais tardia que outras doenças que o paciente possa apresentar. Há profundo debate acerca de quando indicar o tratamento definitivo da doença, já que os tratamentos são considerados agressivos e podem deixar sequelas importantes, como perda da ereção, do controle da micção e sangramentos da bexiga e do reto a longo prazo.

Nos casos que os tumores são de baixo risco de progressão e que acometem pequenas áreas, tem-se implementado o seguimento da doença e a vigilância ativa, com acompanhamento mais de perto da evolução com exames seriados, indicando tratamento quando a doença der sinais de avanços, evitando assim tratamentos desnecessários, exagerados ou sequelas precoces, principalmente em pacientes com a vida sexual ativa.

Que fique a todos, homens e mulheres, a informação e o conhecimento. Necessário para saber que o essencial é se esquivar do preconceito e não se deixar entrar na triste estatística da mortalidade de uma doença curável, especialmente quando descoberta na fase inicial. Ser homem é se cuidar e encarar com coragem um exame rápido, que não dói, não fere a masculinidade e que em muito propicia uma vida com mais saúde e dignidade.”

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