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“Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia”

A pandemia do coronavirus, trouxe com ela a certeza de que o mundo há de mudar. Em uma crônica recente, o historiador e filósofo israelense, Yuval Harari, discorre brilhantemente sobre a necessidade desta transformação e propõe como solução, o empoderamento da população, ao contrário da vigilância totalitarista e a cooperação global.

A intrincada relação econômica mundial, extremamente interdependente e capilarizada, requer uma solução global, através de líderes com essa visão. Não há lugar para amadores.

Essa modalidade coletiva de olhar, reputada como contemporânea, representa o óbvio. Extraído a fórceps, em um trabalho de parto acelerado, esse novo entendimento aponta no sentido de que a redução da desigualdade entre as pessoas é um caminho sem volta para garantir a estabilidade duradoura da economia global.

O meu bem estar equivale ao do meu vizinho, garantindo uma harmonia entre as pessoas, que hoje só pode ser garantida, pela paridade do conhecimento e não pela isonomia econômica.

É o conhecimento, que vai apoiar o crescimento financeiro e união das pessoas.

“Tudo passa, tudo sempre passará”

É claro que vai passar. O curso das pandemias virais é limitado, pois a imunidade adquirida a infecção se alastra na comunidade. O isolamento social proposto não é para vencer o vírus, mas aguardar que a velocidade de propagação reduza e todo cidadão possa ser contemplado com os cuidados que necessita. A maioria, 95-98% de nós estará vivo no final, mas 2% de muito, é muito. O inimigo é o tempo, não o vírus. É possível que o tempo seja um inimigo pior que o vírus. É traiçoeiro e tem na incerteza seu maior trunfo e no conhecimento seu único antídoto.

“A vida vem em ondas, como um mar

Num indo e vindo infinito”

O surto evolui em ondas. A primeira, mais visível é resultado da própria infecção viral. É a febre, a tosse, o medo da morte. Em uma segunda onda se assiste a desorganização dos sistemas de saúde e econômica. Os pacientes crônicos ou com outras moléstias são menosprezados ou ignorados. As sequelas econômicas serão terríveis, mas só serão percebidas se houver pessoas ao fim. A luta contra a moléstia antecede a recuperação financeira. Nessa onda, a participação do líder com visão global é fundamental, ele tem que ter a envergadura da adversidade. A terceira onda serão as cicatrizes psíquicas, queloides da desconfiança e do medo.

“Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente viu há um segundo

tudo muda o tempo todo no mundo”

O turbilhão de informações a que somos expostos, as internações, mortes, tratamentos milagrosos, que aparecem e somem na mesma velocidade, atrapalha o pensamento. Pode ser que menos possa ser mais. Os milagres hoje são raros, o momento é difícil e não existem soluções fáceis. Desconfie e não divulgue quando a graça é desproporcional.

“Não adianta fugir

Nem mentir pra si mesmo agora”

O momento é de enfrentar o problema, com a seriedade que ele se apresenta, mas com serenidade.  Duelos e confrontos políticos, são fora de propósito e devem ser vistos como atitudes mesquinhas, inaceitáveis em um representante do povo. Uma batalha de egos, não pode fazer bem ao país e não combina com a paz que o momento requer.  E é baseado nesta percepção, que brotarão novos representantes, com a nossa cara e capazes de conduzir a nação para o verdadeiro equilíbrio. O povo brasileiro acima de tudo e a humildade acima de todos.

“Há tanta vida lá fora

Aqui dentro sempre”

É difícil manter esse isolamento, chega um momento que o cárcere altera nossa percepção e perdemos a noção do perigo, a favor da liberdade. A vida que nos espera lá fora, requer agora que fiquemos aqui dentro.

Texto: Dr. Dondici Filho

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