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De 12 a 20 de maio é celebrada a semana da enfermagem. É possível que a  data nem sempre tenha tido a repercussão que merece, mas adquiriu grande mérito esse ano, em plena pandemia, onde a necessidade de cuidados de saúde cresce brutalmente em relevância e sem dúvida será prestigiada por muito mais pessoas, cientes do papel fundamental e essencial desempenhado por esses profissionais.

Enfermeiro(a) em inglês é nurse, que deriva de duas palavras, “nutrix” e “nutrire”, que significa aquele que cuida, protege e nutre. Em português, deriva de enfermo, do latim “infirmus”, ou seja aquele que não está firme. Em ambas línguas o termo remete a arte de cuidar, proporcionando bem estar, melhorando a qualidade de vida das pessoas. Mas não é só arte, é ciência, apoiada em sólidos princípios científicos. Arte e ciência, aliadas a forte componente humanitário dá a dimensão altruística desse ofício. Do ponto de vista operacional, são fundamentais no planejamento logístico e estratégico dos hospitais. 

Têm como patrona Florence Nightingale. Filha de uma tradicional e rica família, rebelou-se precocemente contra o comportamento e o lugar na sociedade destinados às mulheres de sua posição social. A frente do seu tempo, estudou matemática e estatística, que utilizou com competência e elegância na sua profissão, tirando-a do obscurantismo, vestindo-a de ciência. Perturbada com o péssimo tratamento dado indigentes numa enfermaria em Londres, tomou a bandeira da reforma da lei de assistência do Estado aos pobres e desamparados. A profissão era intimamente ligada a igrejas, como algo inerente à vocação religiosa.

Florence adotou a Teoria Miasmática, abraçada por hospitais avançados, fundamentada na tese que ambientes arejados e com claridade eram capazes de curar vários males e que as doenças poderiam ter origem espontânea com a reclusão em locais escuros e sujos.

Mas foi na guerra da Crimeia que ganhou notoriedade, reduzindo a mortalidade de 42,7% para 2,2%. O altíssimo índice de mortalidade causado por doenças, como tifo e cólera, era sete vezes maior do que nos campos de batalha. Na guerra, pouca importância se dava a função, sendo exercido   por mulheres pouco instruídas, sem experiência em cuidados de saúde e prostitutas, estas obrigadas como castigo. Florence instituiu fortes comportamentos morais, com uso de uniformes sóbrios e treinadas a seguir adequadamente as prescrições.

Criou a teoria ambientalista, ao perceber que o meio externo, iluminação, ruído, ventilação, higiene, cama, roupa de cama e nutrição, interferia diretamente no processo da recuperação dos feridos. Dotada de grande astúcia, percebeu redução de mortes, quando medidas para prevenir infecção eram implementadas, como a lavagem das mãos antes e após os cuidados. Essas observações são validas e fundamentam a prática da enfermagem até os dias atuais. 

Ela mesma acometida de febre tifoide, conviveu com sequelas deste mal até os 90 anos, aí chegando com um saldo extremamente positivo, preocupada em cuidar, tendo inclusive criado a primeira escola de enfermagem do mundo e mais de 200 obras importantes. Atenta ao ambiente externo, não descuidou do meio social e psíquico do enfermo, tendo incluído em seu primeiro livro um capítulo, denominado “Conversando sobre Esperanças e Conselhos”, observando a relação entre doença, morte e pobreza, com observações e estudos estatísticos e epidemiológicos que fundamentavam inúmeras cartas e protestos aos governantes.

Cuidou dos enfermos, mas também voltou o olhar aos sadios, buscando meios de promoção da saúde. 

Se essa nefasta pandemia vai deixar algum legado, o maior deles será a necessidade do trabalho em conjunto, a interdependência e a importância de todas as pessoas. Só um momento como esse que contemplamos a morte é que podemos valorizar plenamente a vida, dar atenção a princípios que detivemos pouca atenção.  Só podemos acreditar em uma sociedade que contemple o bem estar de todos. 

Assim, certos do papel fundamental desempenhado pelos enfermeiros, dentro do conjunto de assistência à saúde, usamos esse espaço para agradecer sua dedicação.  Contudo, como Florence, torcemos pela saúde destes profissionais, tendo em mente que o ambiente social e econômico deles próprios são fundamentais para exercício da profissão.  Torcemos para valorização da atividade, pois o reconhecimento já tem.

Parabéns a todos enfermeiros, que exercem seu ofício com arte e ciência, cérebro e coração, voltados para o cuidado ao enfermo.

Dr. José Dondici Filho

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